O universo das pesquisas sobre retina

Dr. Marcos Ávila vem pesquisando, há anos e sem interrupção, as doenças da mácula, a parte central da retina. O tecido é vulnerável a doenças, como a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) e o diabetes. Segundo Dr. Marcos, “a DMRI vem despertando muito interesse da saúde pública, porque está aumentando, no mundo inteiro”.
Calcula-se que, a cada ano, surjam 700 mil novos casos de DMRI, no mundo. No Brasil, as estatísticas apontam para um número anual de 80 mil novos casos. A doença está em processo de crescimento, segundo o Dr. Marcos Ávila, porque acomete, em sua vasta maioria, pessoas com mais de 55 anos, num País cujo índice de sobrevida da população está em crescimento. A DMRI atinge sobretudo pessoas de cor branca em cujas peles, com o passar do tempo, aparecem manchas da cor de chocolate decorrentes da oxidação. As mesmas manchas formam-se, também, no fundo do olho. Elas enfraquecem as camadas da retina, adelgaçam os seus tecidos e, como consequência, provocam fissuras na camada que impermeabiliza a retina – a membrana de Bruch, gerando novos vasos. Quando esses vasos crescem sob a retina, levam à formação de um tecido fibrótico cicatricial, o que resulta na perda irreversível da visão central. Assim, o portador da doença vê-se impedido de ler, de ver as cores. Sequer consegue enxergar o rosto de alguém. A visão que tem é apenas periférica. Essas são as características da maculopatia.

Prevenção – Dr. Marcos diz que o tratamento preventivo para quem já tem manchas no fundo do olho, também chamadas de drusas, é desenvolvido com o uso de suplementos alimentares à base de vitaminas A e E, zinco, cobre e selenium, todos antioxidantes. Um estudo no campo da oftalmologia, chamado Areds (a sigla é em inglês e está associada ao estudo
da DMRI), mostrou que o uso de antioxidantes diminui consideravelmente as chances de formação de tecido fibroso na mácula. Outro estudo de cuja equipe faz parte o Dr. Marcos Ávila está voltado para a aplicação, na região posterior do olho, de um corticóide modificado o qual impede a progressão e mesmo a formação de neovasos e de fibrose.

Terapia Fotodinâmica – Até então, o tratamento dos neovasos era feito com a aplicação de laser térmico. Porém, esse procedimento pode apresentar graves consequências, como a destruição da retina central ou mácula. Foi, aí, que surgiu a Terapia Fotodinâmica (TFD) – a sigla, em inglês, é PDT. A TFD funciona, através da aplicação injetável de Verterporfirina, um pigmento sintético capaz de absorver um comprimento de ondas seletivas de luz infravermelha específica (o laser). A Verterporfirina interpõe-se entre a mácula e os neovasos. Assim, ela resguarda a mácula, diante da aplicação do laser cuja função é destruir os novos vasos, impedindo que a fonte de luz destrua, também, a própria retina, como acontecia, antes. Mas este é um tratamento de alto custo.

Revolucionária – Mas a novidade da TFD foi acrescida do trabalho revolucionário dos médicos pesquisadores Marcos Ávila e Michel Farah, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Eles pesquisaram e concluíram que a TFD acrescida de uma injeção intravítrea do antiinflamatório Triancinolona resulta na queda substancial da taxa de retratamento de 3.2 para 1.1 vezes. Ou seja, a volta do paciente para uma nova sessão de TFD diminui 70%. “Isso é algo para se comemorar, se pensarmos que estamos num País que apresenta enormes dificuldades econômicas e cuja maioria da população não dispõe de recursos para este tratamento que sequer pode ser aplicado no serviço público, por causa do seu alto custo”, explica Marcos Ávila.

A pesquisa de Ávila passou pela fase clínica, desenvolvida na Unifesp e na Universidade Federal de Goiás e já é utilizada há anos no CBCO em Goiânia. Em 2005, Dr Marcos Ávila e Farah foram a Montreal (Canadá), onde apresentaram os seus estudos no Congresso da Sociedade Americana de Retina, a mais expressiva organização médica mundial voltada ao segmento da retina. Este é o primeiro estudo do gênero desenvolvido, no Brasil. Dr. Marcos destacou que, na Alemanha e nos Estados Unidos, pesquisadores também têm se debruçado a pesquisar o uso da Triancinolona associada à Terapia Fotodinâmica. Os dois pesquisadores brasileiros estão finalizando também um estudo com o mesmo antiinflamatório em casos de edema macular diabético.

Há mais de 30 anos. o Dr. Marcos Ávila não faz outra coisa. Ou está atendendo exaustivamente aos seus pacientes, ou ensinando numa sala de aula da Faculdade de Medicina da UnB e da UFG, ou fazendo palestras e participando de Congressos pelo mundo afora como convidado, ou debruçado em escrever artigos para publicações científicas internacionais, ou num laboratório pesquisando sobre a retina. Sempre a retina!
Contato com o médico pesquisador Marcos Ávila pode ser feito pelo e-mail retina@cbco.com.br

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